terça-feira, 15 de agosto de 2017

No deserto das idéias

No deserto das idéias


No deserto das idéias, trago exausta
A minha efêmera coerência de vida,
No nervosismo duma ironia infausta
Na languidez de meu rosto estendida.

Na *abstrusa confusão de sentimentos
Julgo ouvir toda a mágoa do mundo,
São pueris, porém meus conhecimentos
Para aquilatar um brilho tão profundo.

Alucinações que pululam em minha mente
Que tateando nas trevas se encompridam
Qual o rastejar da cauda duma serpente

No deserto d’idéias, de **anômala visão
No sentido da vista, sem que transgridam
Deste mundo o real, e sua concepção !
                                                                *complexa´
                                                                                                                         **anormal
São Paulo, 15/08/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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sábado, 12 de agosto de 2017

SER PAI

SER PAI


É uma solene missão
Árdua, tarefa dura
Que Deus dá à criatura
Num rosário de paixão

É uma fonte de esperança
Que consola o coração
Como se fora uma benção
Uma bem-aventurança

É a argila que se molda
Nem sempre a nosso prazer.
Pois querer. Não é puder,
Nem sempre o barro se amolda !

Ser pai é fé que sublima
Altar de luz e tormenta
É paixão que impacienta
É um sonho que arrima.

É esperança que consola
É um sol que irradia
A estrada áspera e fria
E faz do ninho uma escola.

Não vê maldade em quem ama
Tem amor sempre de sobra...
Pelo filho se desdobra
Se preciso, pisa a lama.

É um clarão de alegria...
A nova estrada do mundo
É o amor mais profundo
Estrela... que o filho guia.


São Paulo, 06/08/2004 
(data da criação)
Armando A. C. Garcia



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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Sofrido coração !

Sofrido coração !


Em meu peito há um coração que pulsa
E sonha por teu amor, a vida inteira,
Sem sentir que há em ti uma repulsa
Acaba-se perdendo na estribeira...

Pena essa aflição que o domina
Martírio involuntário do querer,
O pobre coração não descortina
Que em ti, ele, somente vai sofrer.

Meu olhar, vê um futuro vazio
E nesse plangor de lamentação
Em meu peito... sofrido silêncio.

Na paixão que por ti a vida inteira
Sentiu este pobre, sofrido coração. 
Amar-te assim, creio que foi asneira !

São Paulo 11/08/2017 (data da criação)        
Armando A. C. Garcia

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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Desilusões de amor,

Desilusões de amor,


Desilusões de amor, enfados da vida
Numa existência cansada, vencida
Num senso ignoto, humilde, obscuro
De quem não crê na realidade do futuro

No meu peito, há um coração que sofre
As agruras ingênitas duma estrofe,
E nessa amargura padecente aprimora
Os ensinamentos e preceitos doutrora.

Desilusões de amor... quem as não teve ?
É um fardo bem pesado, sendo leve,
O peito implora a volta à imensidão.

Será que nas preces, ouves meu lamento
Ou o confundes com o soprar do vento,
Num momento místico da oração !

São Paulo, 25/07/ 2017 (data da criação) 
Armando A. C. Garcia

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domingo, 9 de julho de 2017

No pungir dos desejos

No pungir dos desejos


A dor moral no pungir dos desejos
Feriu de morte o pobre coração
Castigo, de ciúmes malfazejos
Quando o amor não passa duma feição.

No desespero inútil desta tortura,
Aguarda nesta vil expectativa,
Voltar a vê-la, talvez seja loucura
Mas sem ela, perde o sentido a vida

No instante de sonhar o pensamento
Vê a todo momento, sua imagem
O  que só aumenta seu sentimento,

Que não olvidou a frágil figura
Sem ver que nesta vida a coragem
Não é, de uma ingênua aventura !

São Paulo, 09-07-2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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Impercebida,

Impercebida,


Impercebida, guardo tua lembrança,
E nesta vaga chama a passo lerdo,
Vivo meu triste luto na confiança  
Que da indulgente complacência herdo.

São saudades inconsequentes minhas
Estas lembranças, reminiscentes
São chama que não se apaga sozinha
Pelos atributos inconsequentes

Sofro nesta ilação impercebida,
A inferência imediata de te ver
Pois, o que eu padeço nesta vida

É uma reminiscência percebida,
Que de impercebida queria abster
A lembrança para sempre querida !

São Paulo, 09-07-2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Aquele silêncio

Aquele silêncio


Aquele silêncio que em sombras arde
Queima seu peito numa tristeza só
Como se envolto em virtual alarde
Percorrendo os caminhos de Jericó.

No engenho e arte, deste silêncio
Profunda angustia de si se apodera
Mas num incógnito senso, tem calafrio
Ao saber-se fora da atmosfera !

Onde viveu neste exílio, fora d’casa
Na paz sublime que ora, estertora
Qual estrela cadente lúgubre, sem asa,

Circundando o espaço, de sombra inunda
O firmamento, e só a sublime aurora
Pode tirar a terra da escuridão profunda !

São Paulo, 07-07-2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Procura imanente

Procura imanente


Com a alma alhures, eu te procuro
Não estás onde busco, ou outra parte
É procurar agulha no escuro,
Ou sou estéril no engenho e arte.

Inconsequente esta busca minha
Procura imanente que antecipa
O aprendizado que me detinha
No estágio de amor que participa,

No clima de paz, no ar da montanha
Num céu azul duma profunda calma
Colado à saudade que me acompanha.

Se hei de viver da saudade, como sinto
A esperança que vivifica a minh’alma
Tirar-me-á do lutuoso labirinto !

São Paulo, 06-07-2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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terça-feira, 4 de julho de 2017

Sou uma sombra

 Sou uma sombra


Sou uma sombra que no mundo passa
Projetada no espaço sem luz
No contorno de uma figura laça,
Capaz de prender a sombra que seduz

E nas sombras de um corpo opaco
Vou carregando minha sina e cruz
Sem teu bisonho amor, sinto-me fraco
E somente a saudade me conduz.

Nem a linda primavera florida
Pode domar a sombra desta saudade
Que se apoderou de minha vida

E me acorrentou á vil nostalgia
Desde a tenra e branda mocidade
Quero crer qu’essa sombra, é ousadia !

São Paulo, 03-07- 2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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O velhinho desvalido

O velhinho desvalido


Está ali, naquele quartinho isolado
O velhinho desvalido, desprezado,
Foi um desvalido da vida, e da sorte
Que tal feito, não ocorra na morte !

Perdeu a valia o velhinho infeliz
Perdeu na vida o que sempre quis,
E neste infortúnio, nesta desdita
Roga ao Criador que não se repita

Este seu sofrimento cruel, atroz
Que falando, parece não ter voz
E caminhando, tem jeito de parado

O velhinho aparenta estar só.
-  Num pequeno quarto que dá dó,
Mas por Deus, está sempre amparado !

São Paulo, 03-07- 2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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segunda-feira, 3 de julho de 2017

No quarto da solidão

No quarto da solidão


Nas sombras do quarto da solidão
Voa dentro de si uma saudade
Que enxovalha o pobre coração
Envolto numa triste ansiedade

Coberto p’las sombras, injuriado
Não restou outra saída no caminho,
Cansado de tanto ser maltratado
Sem amor, sem afeto, sem carinho

Enfrentou seu ódio, seu rancor.
Ao invés de dar-lhe amor e carinho
Ele sempre foi tratado com furor.

Vive, agora, no quarto da solidão
Morando junto à pobre saudade
Com uma imensa dor, no coração !

São Paulo, 02-07- 2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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terça-feira, 27 de junho de 2017

Perdido amor !...

Perdido amor !...


Derramaste sobre mim a capa da tristeza
Quanto me dói ver nosso amor perdido
Descestes, na avaliação pela sordideza    
Teus briosos deveres, não têm sentido

Ciúme, noites perdidas, dor e pecado
Avareza sórdida, mesquinhez
Com teu amor me sinto apunhalado
E nesse estado, eu perco a lucidez

Coberto com o manto da tristeza
Procuro viver sem dor ou amargura
Refletido consciente nessa natureza

Vejo nela a destruição dessa ventura
Na sórdida e desprezível safadeza
Que por certo, levar-me-á a sepultura !

São Paulo, 26-06-2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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sábado, 24 de junho de 2017

Quando o sol se põe !...

Quando o sol se põe !...


Quando o sol se põe, surge a noite escura
O dia é a vida, a noite, a sepultura.
No despertar repetido, a natureza
Brinda a vida e no horizonte reveza

A alegria da vida colorindo o dia
Onde pássaros voam cheios de mestria
E encantam com seus típicos canoros;
Enquanto à noite, só se ouvem choros,

Rodeada de mistérios é um calvário
Até o luar é sombrio e solitário.
O dia, é uma primavera florida

É semente que germina, é vida
É um templo com a fé concedida
De dar alegria à vida, um emissário

São Paulo, 24-06-2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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Abraçado à criação do pensamento

Abraçado à criação do pensamento


Quisera eu, puder amar-te tanto
Quanto o desejo de amar-te, meu
E este desejo de amar-te, santo
Não existe na terra, somente no céu

Sem igual em toda a natureza
Encerra na fonte criadora da mente
Cheia de vigor com brio e beleza
O maior amor, singularmente

Beijo mentalmente tua imagem
Elaboração mental do pensamento
Levando a ti a justa homenagem

Que este amor eterno e imortal
Deu vida ao meu sonho sem alento,
- Na vida e na morte celestial !

São Paulo, 24-06-2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Paciência II

Paciência  II


Paciência, uma virtude a suportar infortúnio
Sem queixas, resignação, perseverança
É cristalina fonte de água mansa
Que corre em noite de novilúnio

É resignação, é a constância,
Árvore que tempestade não derruba
Natural, é do leão a própria juba
Rocha de primordial substância.

Porte de alma nobre e generosa
Que tem ânimo diligente, ativo
E usa desse adereço na prosa

Triunfando do tolo agastamento
Que em fiel e prodigioso motivo
Afasta de si, a ira do pensamento !

São Paulo, 15-06-2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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